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BORBOLETA URBANA

Entre o negro do asfalto e o cinza do céu
Só o ar poluído e tuas asas ligeiras
Vai, voa
Desvia do parabrisa
Revoa e aterriza no arbusto poeirento
Cata aí teu alimento e alimente os olhos meus
Opa! Hora de segurar
O metrô passa ligeiro e faz rebuliço no ar
E lá vai você de novo atravessando avenida
Cuidado!
Sobe, desvia, desce. . .
Reaparece e colore a minha vida
Vem o ônibus vou-me embora
Procuro entre os carros,
entre os galhos, entre as gentes. . .
de repente lá está ela!
Grudada na minha janela
com seus olhinhos miúdos
pregados no meu olhar,
fazendo brotar um sorriso
e uma pergunta no ar:
era eu que te assistia com admiração
de toda essa tua leveza
ou seria você, com tristeza,
de ver-me colada no chão?

Luiza Aparecida Mendo

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