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LOBISOMEM URBANO

Eu não passo de um lobisomem urbano
Que viciou num jeito matemático de ser
Você não sabe, mas eu não sou humano
Por essas e por outras insisto em te querer
Vivo morto, amarrado, engravatado,
Já não sei, meu bem, falar de amor
Se dois mais dois são quatro
O nosso quarto precisa de calor
Você devia abrir sua janela
E me deixar voar por ela
Me arrebentar de encontro ao céu azul e branco
Com todo espanto de quem nunca esteve aqui
E me atirar de vez aos teus encantos
Viver num só instante o que não vivi
Eu não passo de um lobisomem urbano
Que sugou todo teu sangue e não se saciou
Você não sabe, mas o seu abandono
Roubou a minha alma e me aprisionou
Você devia abrir sua janela
E me deixar voar por ela
Me arrebentar de encontro ao céu azul e branco
Com todo espanto de quem nunca esteve aqui
E me atirar de vez aos teus encantos
Viver num só instante o que não vivi

Luiza Aparecida Mendo

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